Recentemente eu comentei aqui que tinha sofrido pra terminar minha única meta de leitura de 2024. No último mês consegui finalizar a leitura de A História sem Fim e na sequência, ainda em dezembro, comecei a ler Contos de Dying Earth, de Jack Vance. Se você se interessa por fantasia e RPG, provavelmente já ouviu falar, ele inspirou o sistema de magia de D&D, o tal sistema “vanciano”, que os magos esquecem a magia depois que usam e tem que ficar procurando livros e pergaminhos para conhecer novas magias e tal, é um autor bem influente. Essa seleção de contos que foi publicada recentemente aqui no Brasil tem umas ideias bem legais e tal, mas num geral não me agradou tanto assim, sou meio burrinho e achei alguns contos confusos mas, no geral, criativos.
Terminei de ler Contos de Dying Earth em janeiro e já estava de olho em outros livros pra ler , enquanto buscava obras de fantasia nacionais, me deparei com O Auto da Maga Josefa. Confesso que dei uma acelerada no final de Dying Earth, já não tava me interessando tanto, mas eu queria muito começar a ler O Auto da Maga Josefa, te digo porque: é uma história de fantasia, com criaturas sobrenaturais e tal, que se passa no nordeste brasileiro, em meados dos anos 60.
O sertão nordestino fantástico é um cenário que me interessa muito, se você já acompanha o blog, sabe que minha campanha de Old Dragon era toda meio inspirada numa mescla de Brasil colonial com sertão e criaturas de D&D, além disso cheguei a esboçar um sistema próprio em um cenário sertanejo que batizei de O Reino Fantástico do Castelo de Mandacaru. Fiquei muito feliz em descobrir a existência desse livro e extremamente curioso pra ler.
Dito isso, O Auto da Maga Josefa é uma leitura extremamente prazerosa, fácil de acompanhar, divertida, com personagens que você consegue identificar tranquilamente como algum conhecido e, o melhor, o cenário é ainda mais familiar do que uma Europa medieval genérica que estamos cansados de ver representada em inúmeras obras de fantasia por aí. Disparado o melhor livro dos últimos que li desde que consegui retomar meu hábito de leitura. Tudo bem que foram só três livros até agora, mas vem mais por aí.
Enquanto buscava obras como o Auto da Maga Josefa esbarrei num movimento de escritores jovens que identificam sua obra como regionalismo fantástico, além de outras obras de realismo mágico brasileiro contemporâneo que já adicionei a lista de interesses pra próxima leitura.
Fico feliz de ter voltado a ler, isso inclusive me incentivou a escrever um conto, sem pretensão nenhuma, só pelo ato de escrever e criar. Talvez compartilhe aqui um dia. Leiam livros, leiam ficção, leiam autores brasileiros e escreva e crie só pela satisfação de criar. A gente vive num mundo onde tudo gira em torno de produtividade e monetização, ter algo que te motiva a criar só por criar é maravilhoso. Bebam água.