sábado, 14 de março de 2026

Rolar acima ou abaixo?

Olá novamente 1d3-1 leitores! Hoje eu venho aqui numa tentativa de falar mais sobre os jogos que eu ando criando, os conceitos e regrinhas que penso, compartilhar tudo isso com o mundo porque não adianta nada eu criar 20 arquivos no Google docs se eles não verem a luz do dia. Sempre que eu tenho alguma ideia de mecânica ou de um jogo novo eu crio um arquivo no docs pra tentar desenvolver algo a partir dali, raramente eles saem de lá, poucos saíram na verdade, como Coelhos e Castelos, Dunha, Quimera, Castelo de Mandacaru e enfim.

Recentemente tem alguns jogos que me exercem influência pra o jogo que eu estou criando: Troika, Into the Odd, Tunnels & Trolls e também o obscuro Rules for the game of Dungeon. E 3D&T obviamente. A uma primeira vista talvez esses jogos não tenham nada em comum, mas sob a perspectiva das mecânicas, nenhum deles é particularmente muito complexo, no que diz respeito a um extenso volume de regras. Todos têm soluções simples até pra maioria das questões que surgem em jogo. 

Ilustração da versão japonesa do D&D Rules Cyclopedia

Tirando Into the Odd, todos os que citei usam d6 apenas. Troika, T&T e Dungeon usam 2d6 pras resoluções cada um ao seu modo, rolando abaixo do atributo, no caso de Troika (por ser derivado de Fighting Fantasy) ou acima de um número alvo, nos outros dois. 3D&T costumava ter rolagens abaixo do atributo, mas na última versão passou a usar número alvo também.

Embora eu goste dos dados multifacetados, tenho um carinho especial pelo d6. Talvez por ter jogado muito 3D&T e pela sua facilidade de acesso, apesar de que hoje em dia é bem mais fácil conseguir um conjunto de dados de RPG, mas ainda é muito mais provável que a maioria das pessoas já possua um dado comum de seis lados em casa. Acho que por causa disso nunca bolei nenhum jogo que usasse outro dado além de d6 (que eu me lembre).

Então estava eu bolando esse jogo novo que mistura um pouco de cada influência com outras ideias de outros projetos e tinha me decidido em usar 2d6 como padrão quando me encontrei em uma encruzilhada: rolar abaixo de uma habilidade ou acima de um número alvo? Um não é pior ou melhor que o outro, mas em jogo, rolar os dados acima te proporciona o prazer de atingir o maior número possível nos dados. Enquanto rolar abaixo, ao meu ver, é simples de entender que além do limite da sua habilidade, a tarefa se torna impossível, algo bem prático.

O problema do número  alvo é ter que determinar um número alto ou baixo ali no jogo e, por mais simples que pareça, não é uma solução tão prática quanto ter um único número fácil de lembrar, como um 10. Enquanto isso, rolar o numero a baixo parece ser contra intuitivo, como assim eu tenho que rolar números baixos? Nosso cérebro de macaco gosta de números altos.

Acabou que eu decidi manter os dois dados altos contra um valor 10, mas tinha um problema que o numero 10 é alto demais pra atingir com 2d6, a curva de resultados de 2d6 tende a gerar resultados entre 6 e 8, 10 ou mais seria uma tarefa bem dificil de se obter… mas aí eu lembrei do DARO de T&T, ao rolar dois dados iguais, somar e rolar os dados novamente, uma explosão de dados em caso de duplas, isso torna atingir 10 um pouco mais fácil se levar em consideração os bônus que provavelmente o jogador terá no jogo.

É uma mecânica simples e gera uma empolgação ao rolar as duplas, rolar uma dupla de números baixos, pode se transformar num sucesso depois. Embora la dentro eu queira bolar algo com 2d6 rolando abaixo, mas isso fica pra outra oportunidade. No momento eu simplesmente não queria diversos valores de dificuldade e números alvos demais.

Em uma próxima publicação eu falo de outras ideias envolvendo dados e regras de joguinhos que ando bolando.