quarta-feira, 22 de julho de 2026

One-page RPG jam 2026

 

Esse ano alguém sugeriu que eu participasse dessa Jam que rola todo ano no itch de RPGs de uma página. Eu gosto da ideia de sintetizar um jogo inteiro em uma página, dizem que a limitação é combustível pra criatividade, e como não consigo parar de criar jogos no meu Google drive, acho que seria uma boa participar e compartilhar alguma criação. Não é a primeira vez que crio jogos de uma página, afinal.
Então esse post vai ser meio que um “devlog” de um novo jogo.
Uma ideia que perambula minha mente e já comentei com algumas pessoas é um jogo inspirado em Soul Calibur/Soul Edge/Soul Blade, o jogo de luta 3D com espadas da NAMCO, que seria meio que um sucessor também do meu Tekken Analógico e do Muque Master (esse eu acho que nunca falei dele por aqui no blog, mas é um jogo de 9 cartas apenas).
A ideia do jogo é a seguinte: você é um guerreiro em busca de uma espada lendária e desafia outros guerreiros para encontrar a tal espada. O que essa espada tem de especial? Acho que aí o jogador quem pode dizer. Como ele é inspirado em um jogo de luta, o foco do jogo são os duelos armados e, assim como no vídeo game, os jogadores terão armas a sua disposição para lutar. 
Em Soul Blade (a versão de PlayStation 1, e inspiração principal pro meu jogo), os bonecos têm acesso a três tipos de ataque: horizontal, vertical e chute, além do bloqueio. As armas tem uma barra de vida também, ou seja, elas podem quebrar no meio da luta te obrigando a lutar desarmado. Outros aspectos extremamente técnicos eu não vou entrar em detalhes até porque não pretendo implementar eles no meu jogo, que tem uma pretensão mais simples pra caber em uma página.
O jogo funciona como uma mistura de bingo, batalha naval e uma tabela de RPG. Eu explico: os jogadores desenham seu personagem em uma malha de 6x6 quadrados, cada linha e coluna equivalente a um valor de 1 a 6 em um d6 e você rola 2d6 pra saber em qual quadrado, bloco, casa ou célula você atinge na malha. E assim como em Soul Blade tem ataques verticais e horizontais, no bingo fazemos bingo fechando uma linha ou uma coluna também. A ideia aqui é: se você atingiu um bloco desenhado, você atingiu o adversário, se não, você errou. Simples assim. 
Ah mas então se eu desenhar meu personagem inteiro dentro de um bloco vai ser muito difícil atingir ele não é? Vai, por isso entram outros elementos no jogo pra adicionar mais camadas ao jogo, mas sim, você pode desenhar seu personagem inteiro em um único bloco, isso seria muito divertido.
Ainda não defini com certeza, mas penso em tornar cada bloco desenhado como um ponto de vida do seu personagem, então se você desenhasse o personagem inteiro em um bloco ele teria 1 ponto de vida e se você conseguir preencher a malha inteira com seu desenho ele tem 36 pontos de vida, parece uma boa né. Faria sentido um personagem grande, lento e resistente e um personagem pequeno, rápido e frágil.
Mas eu também queria que diferentes armas causasse mais ou menos dano, então como seria isso na prática? Tinha pensado assim: Cada arma tem três blocos (talvez mais?), daí sempre que você faz um ataque horizontal ou vertical ela atinge três blocos naquela disposição. Assim fica mais fácil fazer o BINGO, que seria o equivalente a um KO no jogo de luta.
Além disso, os blocos das armas funcionam como a vida delas, como em Soul Edge, então precisaria definir também um tipo de bloqueio pra ir quebrando a arma. Acho que talvez, se você desenhar um escudo no seu personagem os golpes podem ser bloqueados sempre que atingirem ele, diminuindo os blocos da arma do adversário.
É um jogo bem livre na verdade, muito da customização vai vir a partir do desenho que você faz do seu personagem na malha, não tô muito preocupado em equilíbrio nem nada por enquanto, ainda vou fazer uns testes solo pra ver como se comporta o jogo. Quando tiver pronto vou trazer aqui pro blog.

sábado, 14 de março de 2026

Rolar acima ou abaixo?

Olá novamente 1d3-1 leitores! Hoje eu venho aqui numa tentativa de falar mais sobre os jogos que eu ando criando, os conceitos e regrinhas que penso, compartilhar tudo isso com o mundo porque não adianta nada eu criar 20 arquivos no Google docs se eles não verem a luz do dia. Sempre que eu tenho alguma ideia de mecânica ou de um jogo novo eu crio um arquivo no docs pra tentar desenvolver algo a partir dali, raramente eles saem de lá, poucos saíram na verdade, como Coelhos e Castelos, Dunha, Quimera, Castelo de Mandacaru e enfim.

Recentemente tem alguns jogos que me exercem influência pra o jogo que eu estou criando: Troika, Into the Odd, Tunnels & Trolls e também o obscuro Rules for the game of Dungeon. E 3D&T obviamente. A uma primeira vista talvez esses jogos não tenham nada em comum, mas sob a perspectiva das mecânicas, nenhum deles é particularmente muito complexo, no que diz respeito a um extenso volume de regras. Todos têm soluções simples até pra maioria das questões que surgem em jogo. 

Ilustração da versão japonesa do D&D Rules Cyclopedia

Tirando Into the Odd, todos os que citei usam d6 apenas. Troika, T&T e Dungeon usam 2d6 pras resoluções cada um ao seu modo, rolando abaixo do atributo, no caso de Troika (por ser derivado de Fighting Fantasy) ou acima de um número alvo, nos outros dois. 3D&T costumava ter rolagens abaixo do atributo, mas na última versão passou a usar número alvo também.

Embora eu goste dos dados multifacetados, tenho um carinho especial pelo d6. Talvez por ter jogado muito 3D&T e pela sua facilidade de acesso, apesar de que hoje em dia é bem mais fácil conseguir um conjunto de dados de RPG, mas ainda é muito mais provável que a maioria das pessoas já possua um dado comum de seis lados em casa. Acho que por causa disso nunca bolei nenhum jogo que usasse outro dado além de d6 (que eu me lembre).

Então estava eu bolando esse jogo novo que mistura um pouco de cada influência com outras ideias de outros projetos e tinha me decidido em usar 2d6 como padrão quando me encontrei em uma encruzilhada: rolar abaixo de uma habilidade ou acima de um número alvo? Um não é pior ou melhor que o outro, mas em jogo, rolar os dados acima te proporciona o prazer de atingir o maior número possível nos dados. Enquanto rolar abaixo, ao meu ver, é simples de entender que além do limite da sua habilidade, a tarefa se torna impossível, algo bem prático.

O problema do número  alvo é ter que determinar um número alto ou baixo ali no jogo e, por mais simples que pareça, não é uma solução tão prática quanto ter um único número fácil de lembrar, como um 10. Enquanto isso, rolar o numero a baixo parece ser contra intuitivo, como assim eu tenho que rolar números baixos? Nosso cérebro de macaco gosta de números altos.

Acabou que eu decidi manter os dois dados altos contra um valor 10, mas tinha um problema que o numero 10 é alto demais pra atingir com 2d6, a curva de resultados de 2d6 tende a gerar resultados entre 6 e 8, 10 ou mais seria uma tarefa bem dificil de se obter… mas aí eu lembrei do DARO de T&T, ao rolar dois dados iguais, somar e rolar os dados novamente, uma explosão de dados em caso de duplas, isso torna atingir 10 um pouco mais fácil se levar em consideração os bônus que provavelmente o jogador terá no jogo.

É uma mecânica simples e gera uma empolgação ao rolar as duplas, rolar uma dupla de números baixos, pode se transformar num sucesso depois. Embora la dentro eu queira bolar algo com 2d6 rolando abaixo, mas isso fica pra outra oportunidade. No momento eu simplesmente não queria diversos valores de dificuldade e números alvos demais.

Em uma próxima publicação eu falo de outras ideias envolvendo dados e regras de joguinhos que ando bolando.


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

RULES TO THE GAME OF DUNGEON

Bem vindos a postagem anual deste blog, fiéis 1d3 leitores. Hoje trago pra vocês minhas impressões de um jogo de RPG peculiar, vindo do longínquo ano de 1974. Não, não é D&D.

imagem meramente ilustrativa

Nós da internet tomamos conhecimento de Rules to the game of Dungeon através de uma postagem do blog “Playing at the world” do historiador de RPG Jon Peterson, pois trata-se de uma publicação independente do ano de 1974 distribuída entre nerds de Minneapolis.

Um adolescente chamado Craig Vangrasstek teve contato com um jogo curioso e decidiu registrar as regras desse jogo de masmorra com o que ele gravou da cabeça dele. E Craig não jogou Dungeons & Dragons, muito provavelmente ele tenha jogado algo baseado em Blackmoor, que é  o jogo que o co criador de D&D jogava com seus amigos antes de Gary Gygax enganar ele roubar todo o crédito, mas isso é outra história.

O que é interessante aqui é que esse rapaz jogou esse jogo de dados, masmorras, monstros chamado Castle Keep e meio que bolou as regras do seu próprio jogo de masmorras com base no que ele memorizou, e ele nunca sequer tinha ouvido falar em D&D. Tanto que o jogo só tem a premissa em comum com D&D, as regras são mais uma mistura de Chainmail com aquele boardgame Dungeon!, usando apenas 2d6 para ataques e 1d6 para rolar tabelas de tesouro e etc.

O jogo é bem simples, tem um senso de humor de um adolescente de 14 anos que assiste Monty Python e Dr. Who, não é nada muito sério.

Rules to the game of Dungeon tem 3 classes de personagem, aqui chamadas de persona: guerreiro, padre e mago; essas personas sobem de rank acumulando karma; magias aqui são lançadas através de bolas encontradas explorando a masmorras; há monstros estranhos e animais que protegem os tesouros, você pode fazer acordos de paz com eles oferecendo itens comprados, como por exemplo oferecer latas de lixo para usos (as latas de lixo constam na lista de itens); há também sábios nas masmorras que são descritos como um tipo de personificação do mestre, podem oferecer serviços, armas mágicas ou desafiar os jogadores para uma aposta de blackjack ou algo do tipo, os sábios são donos da masmorra então eles podem estar zangados caso os personagens tenham acumulado muito tesouro. 

Enfim, perceba aqui que é o mesmo jogo que já conhecemos mas com uma mentalidade mais brincalhona na forma como o jogo é encarado. Nada na masmorra faz muito sentido, funcionando como uma “Dungeon Funhouse”, o foco aqui é a exploração, acúmulo de tesouros e encontros inusitados desafiando a criatividade dos jogadores. 

O que me chamou atenção tanto em Rules quanto em T&T, foi o fato de serem os primeiros RPGs faça você mesmo derivados de D&D (ou não, mas indiretamente, no caso do Rules), com suas próprias ideias e soluções.

Correndo o risco de estar me repetindo aqui, mas acho que esse é o grande trunfo do RPG, essa vontade que dá de criar depois que você é mordido pelo bichinho da criatividade. De pegar um papel e desenhar seu personagem, de criar uma regra pra uma arma mágica, de desenhar uma masmorra, de inventar um monstro divertido, de imaginar possibilidades e caminhos que seus amigos vão bolar em mesa, de todas as infinitas possibilidades dentro do limite da imaginação.


O podcast Read the Fucking Manual tem um episódio bem legal sobre esse jogo.



quarta-feira, 2 de julho de 2025

ESSE ERRE DÊ Deidê Dagrow/Deidê Biéques

Saudações 1d2-1 leitores!

Atualização rápida aqui, passando só pra disponibilizar o SRD do Deidê Dagrow, o sistema já disponibilizei antes aqui no blog, mas agora segue o documento de texto com as regras e a licença para uso pra que vocês possam criar seus próprios jogos em cima desse material.

não é roubo se estou dando pra vocês

Segue o link:

https://docs.google.com/document/d/1H525OFsLsbRVwVSmj9Ay-5lc-aeqL83-mlLArNtK598/edit?usp=drivesdk

sexta-feira, 6 de junho de 2025

Tunnels & Trolls

Saudações 1d6-1 leitores! Hoje irei falar de um RPG meio esquecido, um que poderia facilmente ser lembrado pela dita OSR, mas eles só fazem clones de D&D. Pois saiba que, em 1975, ano seguinte ao lançamento de D&D, surgia Tunnels & Trolls, sendo considerado assim o segundo RPG lançado no mundo. 



T&T surge de um modo curioso, seu autor teve acesso aos livros de D&D e curtiu a ideia daquilo ali, um jogo imaginativo de explorar masmorras, derrotar monstros e coletar tesouros, é uma premissa básica, mas as regras não o agradaram Ken St. Andre, que viria a criar a sua própria versão do jogo: mais simples, usando apenas d6 e em um único manual completo pra já sair jogando. 

A partir daí já temos o que pode ser considerado como o primeiro “sistema próprio” inspirado em outro, publicado por uma editora independente, mas não um hack ou clone em suas regras, como se vê aos montes hoje em dia. A ideia aqui era tornar o D&D mais acessível para o que se tinha na época e como ele surge a partir de wargames, muito de suas regras é herança desses jogos, com movimentação, miniaturas, tabelas e mais tabelas, tornando tudo muito complicado pra quem não tem essa experiência prévia.

Então, o que tem de tão diferente assim em T&T em relação a D&D? 

Começando pelos dados, aqui se usam 3d6 para os atributos (que não são muito diferentes de D&D, adicionando aqui o atributo Sorte, pela primeira vez que se tem notícia); 2d6 para testes de sorte e atributos em geral contra um número alvo (com dificuldade baseado no nível da masmorra): tudo isso com a possibilidade de explosão de dados sempre que rolar uma trinca em 3d6 ou uma dupla em 2d6 (TARO e DARO como são chamados aqui). Tudo isso muito mais próximo de um RPG minimalista contemporâneo do que as dezenas de mecânicas diferentes pra resolver cada situação de D&D. 

Classes em T&T são só 3, mago, guerreiro e um ladrão meio mago, que só aprende magia se tiver outro jogador mago pra ensinar o que já rende pano pra manga na mesa. Raças não influenciam tanto, apenas na progressão e no cálculo dos atributos.

Combate acho que é a parte que mais gostei: em T&T cada lado envolvido no combate lança seus dados simultaneamente baseado na soma de armas, magias, atributos e o que sobrar vira dano no lado perdedor, simples assim. Caos total, os jogadores podem dividir o dano entre si, absorver com armaduras (guerreiros tem bônus nesse valor), mas essencialmente é isso. O problema é boa níveis altos que os dados vão se acumulando, mas em jogo deve ser muito divertido rolar uma enorme pilha de dados. Ah! Os monstros possuem só um atributo chamado MR (Monster Rating) que funciona como pontos de vida e quantos dados e bônus de dano eles tem em combate, em T&T não há livro dos monstros. Qualquer ação ou manobra que não seja resolvida com esse conflito de dados é feita com testes de atributo.

Magia em T&T é lançada com pontos de magia (tirados de força nas primeiras edições), nada de sistema de magia diários que você esquece e tal, isso só tem graça nos livros do Jack Vance. 

No geral acho que é isso, se você tiver interesse não deve ser muito difícil de encontrar uma cópia aí pela internet, atualmente existem 7 edições de T&T mas sem mudar drasticamente o sistema como aconteceu com sua inspiração. Inclusive este ano estão lançando uma nova edição, sem envolvimento do autor, que vendeu os direitos, veremos o que mudará.

T&T pode não ter a relevância de D&D mas com certeza é um sistema influente, a chamada “escola britânica” dos RPGs tem muita influência dos módulos solo que saíram aos montes pra T&T, além do uso de sorte e do combate similar dos jogos Fighting Fantasy. Além de possuir regras bem comuns em jogos minimalistas de ainda hoje em dia pra um sistema dessa época, que costumavam ser bem mais crocantes e tentando simular todos aspectos do jogo. 

Pra mim o que chama atenção é ser um jogo mais simples que D&D com ideias de regras bem atuais, partindo de alguém sem nenhum conhecimento prévio de sistemas de RPG e isso por si só já é um legado em tanto. Tunnels & Trolls não é um sistema perfeito mas deixou aí sua contribuição pra quem gosta de modificar e recriar jogos, que é parte da graça do RPG.

Próximo post pretendo trazer algum reporte de jogatina solo de T&T só pra desenferrujar um pouco minha improvisação. Até lá!

Today, "DIY" game innovators think they are emulating Gygax, when in fact they are emulating Ken St. Andre.

Frase de post muito bom sobre a contribuição de T&T (em inglês): https://lichvanwinkle.blogspot.com/2020/05/our-debt-to-tunnels-trolls.html?m=1

terça-feira, 25 de março de 2025

O Auto da Maga Josefa





Recentemente eu comentei aqui que tinha sofrido pra terminar minha única meta de leitura de 2024. No último mês consegui finalizar a leitura de A História sem Fim e na sequência, ainda em dezembro, comecei a ler Contos de Dying Earth, de Jack Vance. Se você se interessa por fantasia e RPG, provavelmente já ouviu falar, ele inspirou o sistema de magia de D&D, o tal sistema “vanciano”, que os magos esquecem a magia depois que usam e tem que ficar procurando livros e pergaminhos para conhecer novas magias e tal, é um autor bem influente. Essa seleção de contos que foi publicada recentemente aqui no Brasil tem umas ideias bem legais e tal, mas num geral não me agradou tanto assim, sou meio burrinho e achei alguns contos confusos mas, no geral, criativos.

Terminei de ler Contos de Dying Earth em janeiro e já estava de olho em outros livros pra ler , enquanto buscava obras de fantasia nacionais, me deparei com O Auto da Maga Josefa. Confesso que dei uma acelerada no final de Dying Earth, já não tava me interessando tanto, mas eu queria muito começar a ler O Auto da Maga Josefa, te digo porque: é uma história de fantasia, com criaturas sobrenaturais e tal, que se passa no nordeste brasileiro, em meados dos anos 60. 

O sertão nordestino fantástico é um cenário que me interessa muito, se você já acompanha o blog, sabe que minha campanha de Old Dragon era toda meio inspirada numa mescla de Brasil colonial com sertão e criaturas de D&D, além disso cheguei a esboçar um sistema próprio em um cenário sertanejo que batizei de O Reino Fantástico do Castelo de Mandacaru. Fiquei muito feliz em descobrir a existência desse livro e extremamente curioso pra ler.

Dito isso, O Auto da Maga Josefa é uma leitura extremamente prazerosa, fácil de acompanhar, divertida, com personagens que você consegue identificar tranquilamente como algum conhecido e, o melhor, o cenário é ainda mais familiar do que uma Europa medieval genérica que estamos cansados de ver representada em inúmeras obras de fantasia por aí. Disparado o melhor livro dos últimos que li desde que consegui retomar meu hábito de leitura. Tudo bem que foram só três livros até agora, mas vem mais por aí.

Enquanto buscava obras como o Auto da Maga Josefa esbarrei num movimento de escritores jovens que identificam sua obra como regionalismo fantástico, além de outras obras de realismo mágico brasileiro contemporâneo que já adicionei a lista de interesses pra próxima leitura.

Fico feliz de ter voltado a ler, isso inclusive me incentivou a escrever um conto, sem pretensão nenhuma, só pelo ato de escrever e criar. Talvez compartilhe aqui um dia. Leiam livros, leiam ficção, leiam autores brasileiros e escreva e crie só pela satisfação de criar. A gente vive num mundo onde tudo gira em torno de produtividade e monetização, ter algo que te motiva a criar só por criar é maravilhoso. Bebam água.

sábado, 22 de fevereiro de 2025

Coelhos & Castelos

 Postagem rápida pra disponibilizar um RPG que bolei num momento de hiperfoco em arte medieval: Coelhos & Castelos, um jogo sobre coelhos medievais tentando tomar o poder. 


terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Passei um ano para ler a história sem fim e ela pareceu realmente ser sem fim


Imagem meramente ilustrativa: um coelho medieval armado com um revólver porque no mundo de Fantasia ele faria sentido.

Já devo ter comentado anteriormente que estava tentando (sem sucesso) retomar meus hábitos de leitura, ano passado comecei a ler A História sem Fim, aquele mesmo, do dragão cachorro.

Meu objetivo era: ler pelo menos um livro esse ano pra voltar a me considerar um leitor. Mas talvez tenha sido uma escolha amaldiçoada começar logo com um título desses. Só consegui terminar o livro em dezembro.

Não que o livro seja ruim, longe disso, mas tem sido difícil pra mim manter o interesse em uma atividade por um período mais longo, em algum momento se eu parar de dar atenção eu acabo deixando de lado. É um dos motivos também de eu ter me afastado das redes esse meu problema com foco.

Mas vamos falar da História sem Fim. O livro conta a história de Bastian, um garotinho que adora livros e leitura e que tem problemas com bullying na escola, seja por causa de outros alunos ou até professores que o diminuem por causa de sua aparência.

Fugindo de alguns Bullys, Bastian vai parar em uma livraria onde furta o livro entitulado A História sem Fim, nesse momento conturbado e tomado pela culpa, ele se esconde no sótão da escola e começa a ler o livro, fugindo da sua realidade que tem causado tanto desconforto.

O livro divide o texto em duas cores: uma pra realidade de Bastian e a outra pra o conteúdo que ele lê no livro. Então passamos a acompanhar a leitura de Bastian e suas reações e questionamentos.

A história sem fim conta a história de um mundo chamado Fantasia, um mundo repleto de seres mágicos e reinos fantásticos, é um mundo bastante diverso e sem fronteiras. O único ponto de referência e o que seria a região central de Fantasia é a Torre de Marfim, onde vive a Imperatriz Criança. Ela é a maior autoridade deste mundo, embora não tenha esse papel de imposição de autoridade aos povos de Fantasia. Mas todos os seres a respeitam e sabem sua importância para Fantasia: se a Imperatriz Criança morre, Fantasia morre junto. Nesse momento o mundo de Fantasia é assolado por uma força destruidora chamada de Nada, uma escuridão profunda que surge em vários pontos do mundo consumindo tudo e todos. Ao mesmo tempo, a Imperatriz está doente e não há nada que nenhum dos sábios e médicos de Fantasia possa fazer.

A única solução é enviar um escolhido pelo Aurin, o amuleto símbolo da Imperatriz, em uma jornada em busca de uma resposta para como salvar Fantasia, o encarregado dessa missão é um garoto chamado Atreiu, ele deve partir sem armas em direção às desconhecidas e vastas fronteiras de Fantasia.

Tem uma metáfora bem evidente aqui nesse livro, a Imperatriz Criança e Fantasia sao uma alusão a criança e o deslumbre pelas obras de fantasia, quando uma criança perde o interesse pela leitura os mundos de fantasia deixam de existir. Nesse sentido, acredito que o cenário de Fantasia funciona perfeitamente para um jogo de RPG, é possível até encarar Fantasia como um mundo universal, onde todas as histórias de fantasia convergem. A medida que eu lia, o pensamento que todo jogador de RPG deveria ler esse livro vinha na mente com frequência. Até surgiu a ideia de adaptar o "Jornadas através de Dominam" do Tarcísio Lucas para jogar aventuras em Fantasia, queria experimentar fazer isso em algum momento.

Fica aí a recomendação.

sábado, 21 de dezembro de 2024

Brincar de RPG


Eu nunca levei o RPG a sério, quero dizer, não no que diz respeito a ele como “coisa séria”, como ser usado pra educação, psicologia, socialização, etc, mas deixemos isso pros acadêmicos.
Não é incomum você entrar nesses grupos de RPG e ver longas discussões sobre diegese e agência do jogador e naturalismo gygaxiano, blablabla e tanto pretenso intelectualismo ao redor de um jogo de rolar os dados fingindo ser outra pessoa, enquanto improvisa uma história.
Livros de RPG de fantasia sombria e outros cenários “adultos” parecem também se levar muito a sério quando, na prática, os jogadores estarão dando risada na mesa fazendo alguma piada boba no meio do jogo. Na mesa de jogo, tudo vira uma divertida brincadeira.
Então, se o RPG no final não deixa de ser uma brincadeira, por que não tratá-lo como tal? Não estou aqui querendo impedir que você filosofe sobre o RPG, busque o jeito iluminado de se jogar e faça longos ensaios sobre, jamais. Mas meu jeito é não levar a sério o RPG, o negócio é feito pra brincar mesmo. 
Gosto de comparar RPG com o brincar de fazer de conta e, principalmente , o brincar de bonequinho, você comanda seu personagem e improvisa um contexto pra aventura dele ali, na hora, cria antagonistas e, numa espécie de simulação de um programa de TV com seus heróis favoritos, se diverte. No RPG é igual, há até quem use miniaturas no seu jogo, afinal. 
Não pretendo entrar aqui nas questões de estudos lúdicos sobre o que é jogo e o que é brincadeira, até porque me falta bagagem no tema pra discuti-lo com propriedade, mas costuma-se dizer que no jogo, há regras. Porém, as regras no RPG não são tão importantes assim, quando se tem a figura do mestre que pode mudá-las em prol do divertimento do grupo. Inúmeros manuais de regra de RPG dirão algo semelhante a isso: se as regras estiverem no caminho da diversão, crie outra ou ignore, isso é meio que unânime no meio. RPG é um jogo, mas é um jogo livre, então eu diria que está mais perto da brincadeira, afinal de contas.
Mas não leve a sério o que escrevi aqui, aprendi a jogar com 3D&T, um RPG de paródia. Dito isso, já há algum tempo que tenho lido bastante sobre RPG e acompanhado diversas discussões, mas a minha conclusão, particularmente, é essa: vamos brincar de RPG tal qual uma criança brinca de boneco, improvisando e misturando histórias, sem se levar tão a sério e, acima de tudo, se divertindo.
Imagem meramente ilustrativa: Bilbo de boas fumando enquanto Gandalf vem mudar a vida dele para sempre.



sexta-feira, 18 de outubro de 2024

Aqui e de volta outra vez

Saudações leitores! Esta talvez seja mais uma tradicional postagem anual aqui neste blog ou não, não se sabe ainda, mas ando pensando em retomar a regularidade aqui. Li no BluesSky que os jovens estão resgatando o uso dos blogs, seja por nostalgia da internet dos anos 2000 ou por um ambiente mais personalizado e controlado sem o imediatismo das redes sociais (como a internet foi um dia). Isso me deixou com vontade de escrever essa postagem. Agora, neste momento em que escrevo eu estou fugindo da sobrecarga de informação das redes sociais, ou pelo menos tentando reduzir o uso (até apaguei os aplicativos do celular). Só o ZAP já tem estímulos o suficiente pra fazer a gente ficar checando ele o dia todo, imagina isso acompanhando meia dúzia de redes sociais, lá se vão horas do seu dia. A meta é dar uma reduzida nesses estímulos, não irei sumir, mas irei tentar falar mais aqui no blog.

Mas vamos falar de RPG né, acho que é um bom jeito de escapar desse nosso mundo de estímulos digitais, seja pra outro mundo seja pela raiz analógica da coisa (não sei vocês, mas eu prefiro rolar dados físicos e rabiscar com papel e lápis quando eu jogo, não me adaptei muito bem ao jogo digital ainda). De uns tempos pra cá eu adquiri alguns jogos independentes maravilhosos e ainda não tive a oportunidade de testar todos eles e de algum modo queria falar sobre eles, dito isso, trarei ao Masmorras & Malucos minhas impressões e relatos de aventuras testando esses jogos.

Por enquanto é isso, até a próxima e obrigado por ler até aqui. 


Imagem meramente ilustrativa se Sauron de fato fosse um ser meio "sauroide"



quinta-feira, 13 de julho de 2023

Criando um jogo utilizando inteligência artificial

Decidi experimentar essas tais inteligências artificiais de texto, embora eu tenha algumas ressalvas quanto a forma que elas serão utilizadas pelas grandes corporações e etc., elas ainda são ferramentas poderosas, MUITO PODEROSAS, pra auxiliar na escrita, e como eu não tenho dedicado tanto tempo assim para a escrita, quis experimentar usar uma pra criar um jogo de RPG solo. Na verdade, acabou virando mais um journaling game, um jogo de diário bem simples como vocês vão ver.

Eu tinha uma premissa, queria fazer um jogo sobre mini magos de marte inicialmente, mas depois pensei em um nome melhor e batizei esses seres de Miudin (miudinho). A premissa era a seguinte: 

Miudins são minúsculos seres mágicos que vivem em uma dimensão paralela a nossa onde tudo é possível, alguns dizem que eles vem do mundo dos sonhos, ou do mundo da imaginação, mas o fato é que eles existem e podem ser invocados para nossa realidade.

Neste pergaminho você terá todas as instruções para realizar o feitiço de invocação de um Miudin, assim como estabelecer um laço de comunicação com ele e acompanhá-lo na sua jornada.

Minha inspiração pra eles são de alguns jogos de video game que joguei recentemente e meio que me apaixonei pelo conceito de seres pequenininhos e esquisitinhos presentes neles: os alienzinhos vegetais de Pikmin, os seres esquisitos que vivem nas ondas de wi-fi de Denpa Men e o príncipe e seus primos em Katamari. 

Então usei o ChatGPT pra me ajudar a criar o jogo, o primeiro prompt foi com a premissa e pedidos de sugestões para criação se um jogo minimalista usando apenas d6. Inicialmente, o chat me deu dicas bem genéricas para estruturas de jogo já bem conhecidas pra quem é familiarizado com RPG. Então eu acrescentei outros elementos ao jogo, um diário e uma câmera, inspirado no magnífico Tiny Wanderer.

Basicamente eu fui dando as ideias e pedindo sugestões e junto com a ferramenta fomos criando um jogo aos poucos, é um processo bem interessante e gerou alguns resultados que curti bastante, mas nem todas as sugestões do chat foram adotadas, queria algo mais simples e minimalista pra testar mesmo.

Algo que percebi ser muito útil é a geração de tabelas, usei duas no jogo, uma de eventos, sugeridas pelo chat e uma de magias baseadas em cores, a ideia das cores foi minha mas deixei o chat criar as magias e o resultado foi bem legal.

Sem mais delongas, baixe o protótipo do jogo Diário dos Miudins abaixo. 

BAIXAR

Futuramente, pretendo aprimorar o jogo, fazer umas ilustrações e lançar uma versão definitiva. Sinta-se a vontade para testar o jogo se for do seu interesse.

segunda-feira, 16 de maio de 2022

Atualizações: tirando a poeira do blog

Saudações 1d4 leitores deste velho blog de RPG que já possui mais de 10 anos entre hiatos de meses ou anos, mas segue vivo e imprevisível. Hoje venho aqui trazer algumas atualizações do que ando aprontando relacionado a RPG, o que não é muita coisa pra falar a verdade. Entra ano e sai ano e eu continuo prometendo a mim mesmo que vou melhorar meus hábitos de leitura e escrita, mas com tantas distrações da vida moderna algumas coisas acabam ficando de lado, infelizmente. Tem muito a ver com que foco você tem naquele momento, então é bom aproveitar quando a vontade vem, e hoje, decidi escrever aqui um pouco pra tentar alimentar o hábito.

A verdade é que eu não jogo RPG já faz um tempo, tirando algumas partidas perdidas de RPG Solo aqui e ali, mas meu interesse pelo joguinho não terminou e venho desenvolvendo alguns micro jogos de uma página que ja compartilhei com vocês aqui anteriormente.

Meu último joguinho se chama Deidê Dagrow, em alusão ao D&D da Grow, o queridinho dos brasileiros da velha guarda, e foi uma revisão do Deidê Biéques, também uma brincadeira com o D&D B/X, outro favorito da turma da OSR. Ele é uma versão minimalista de uma página que usa apenas 1d6 para resolver todas as jogadas e usa uma mecânica similar aos jogos Powered by Apocalypse, com graus de sucesso e fracasso no resultado, mas bem simplificada. É um jogo bem simples e deixa muita coisa a cargo do mestre e dos jogadores. Mas a mecânica base base funciona bem ao meu ver e já foi testada e aprovada por algumas pessoas da comunidade do RPG Solo no facebook. 



Além disso coloquei ali no canto superior direito do blog o link para o meu itch (masmorrasemalucos.itch.io) onde pretendo postar meus joguinhos analógicos para download em português e inglês. E sim, eu ainda tenho outros projetos que pretendo trazer no futuro, alguns deles já apresentados aqui como o Dunja e o Bonecos Brabos, que pretendo fazer uma revisão nas regras.

Eu não sei se ainda vou jogar RPG tradicional em grupo como antes, não me adaptei muito ao jogo online e futuramente não sei dizer se terei um grupo regular pra jogar, então venho pesquisando bastante sobre RPG Solo e outras modalidades pra jogar sozinho como os Journaling Games, que são basicamente jogos de escrita. Penso em até fazer um desses um dia, quem sabe. No mais é só isso, obrigado pela atenção e até a próxima! :)

domingo, 22 de agosto de 2021

O dia em que a minha avó inventou o RPG

 Olá 1d4 leitores deste blog que se recusa a perecer em meio ao universo infinito em expansão de informações cada vez mais ininterruptas e inconstantes, hoje começo a postagem com essa citação da wikipedia:

"Pós-verdade é um neologismo que descreve a situação na qual, na hora de criar e modelar a opinião pública, os fatos objetivos têm menos influência que os apelos às emoções e às crenças pessoais."

Hoje o consumo de informação é tão assustadoramente grande que a gente mal para pra decodificar o que tá passando ali na nossa frente, nas telas dos nossos dispositivos tecnológicos de comunicação. O jornalismo já entendeu isso e aposta nas click-baits, os políticos já se sentem a vontade nesse contexto através da disseminação de fake-news pra criar sua própria versão da realidade. Enfim, tem se tornado cada vez mais raro o questionamento das informações que recebemos, tendo em vista que a gente precisa estar atualizado um pouquinho sobre tudo e o fluxo não para.

E se a informação tem todo um apelo emocional, ou ainda, se parte de alguém em quem confiamos, aí é que a coisa fica pior, a gente que mora aqui no Brasil cansou de ver alguma tia falar que "mas quem mandou essa mensagem foi fulana da família, que é de confiança". E quando é algo que a gente gostaria muito que fosse verdade então? Sai espalhando pra todo mundo o fato curioso ou a solução milagrosa de uma pandemia. Tem sido assim nos últimos anos na internet.

Sim dave, e o que isso tudo tem a ver com RPG e com a sua avó? Bom, recentemente eu me deparei com uma interação curiosa no grupo Solo RPG do Facebook, em que o Tarcísio Lucas trouxe uns manuscritos do Dostoievski e comparou com os registros de gameplay que costumamos fazer no RPG Solo e ainda brincou: "e se , Distoiesvski ainda jovem viajou no tempo até nossa época, conheceu o RPG solo, voltou pro passado, e escreveu tudo que escreveu a partir de jogatinas solo?" e em resposta, o Tiago Junges comentou: "acho que Dostoevsky que criou o RPG (como solo), e o Gygax que descobriu o manuscrito e plagiou.(E acabou estragando misturando com wargame)"

Então surgiu na minha cabeça uma ideia pra uma JAM, coisa que eu jamais teria iniciativa se não fosse a liberdade que sinto dentro do ambiente da comunidade do RPG Solo, que incentiva a criatividade e interação dos membros e já promoveu diversas JAMs com participação super ativa da galera. Batizei a JAM de O RPG ORIGINAL e propus o seguinte exercício de criatividade: criar um sistema e uma narrativa que justifique a origem do seu sistema como se ele fosse o RPG original. Utilizando técnicas de simular envelhecimento do papel (café, fogo nas bordas, etc), usar datilografia, o que preferir. Tudo que faça a gente acreditar que o seu sistema facilmente poderia ser o elo perdido do RPG.



Como exemplo, inventei uma narrativa de que, supostamente, minha avó teria criado um método de redação que se assemelha muito aos jogos de RPG e fiz no computador mesmo usando uma fonte cursiva e uma imagem de papel antigo, não chega a ser um sistema completo, mas a ideia da JAM é por aí. E então comecei a espalhar o "manuscrito da minha avó" em diversos lugares da internet, no twitter, em outros grupos de RPG do facebook, no reddit, em servers de RPG no discord...como se fosse verdade.







A repercussão do suposto manuscrito foi curiosa e me levou a refletir e escrever esse texto aqui. Claro, a ideia da JAM parte do princípio que a origem do RPG é meio incerta, o fato é que o D&D se originou nos anos 70 derivado de wargames e dos tais free kriegspiel, mas é difícil determinar com certeza se é ele o inventor da fórmula lúdico-narrativa que o jogo faz uso, há relatos de jogos estilo LARP que datam da União Soviética, 100 anos atrás. Então, o que impede, de uma professora do interior do Brasil ter criado um método de narrativa compartilhada para ensinar redação para os seus alunos? Paulo Freire poderia facilmente ter pensado em algo assim, concorda?

Um dos comentários mais curiosos que vi, foi de um rapaz da gringa dizendo que pretende usar o método da minha vó em sala de aula e pra mim isso já foi o suficiente pra brincadeira ter valido a pena. Isso e os jogos incríveis que o pessoal da comunidade do RPG Solo vai criar como se fossem o RPG ORIGINAL.

Pra quem não me conhece, sou assim.


Enfim, é uma brincadeira inofensiva, peço perdão a todos que ficaram felizes em descobrir que o RPG foi "inventado" por uma professora de literatura do interior, mas a realidade é que mais verossímil: minha vozinha, já falecida, era analfabeta, viveu sua vida no interor, de fato, mas não chegou a frequentar a escola, como boa parte dos seus conterrâneos em um contexto de seca no interior da Paraíba.

Mas fica aqui a reflexão, na era da pós-verdade todo dia é primeiro de abril.

Obs.: No momento que termino de escrever esse texto uma pessoa se manifestou no twitter desconfiada da fonte (que foi muito elogiada pelos desavisados como uma bela caligrafia). Mas meu amigo Ravi foi o primeiro a perceber que era falso e me mandou uma mensagem questionando.

A fonte da bela caligrafia é a RESPONDENT



sábado, 22 de maio de 2021

Rage of Rakasta Solo

Joguei a aventura Rise of Rakasta solo do D&D Basic, usando a classe Rakasta, que vem na aventura. Pra quem acha que o D&D tá virando "furry" só agora com as edições modernas, ta aí John Tiger para provar que raças não-tolkenianas sempre estiveram presente no D&D.

Na aventura, John Tiger e o anão Joel são enviados por um feiticeiro rakasta chamado Kaminari e pelo burgomestre Gustovan para investigar o castelo da Daimyo Kamaggi, que estaria preparada pra entrar em guerra contra os humanos de Torlynn e toda Thunder Rift.
No castelo, a dupla encontra uma pantera sinistra que parece não ir muito com a cara do anão, mas John Tiger consegue acalmar o bichano de grande porte, porém quando os dois vão explorar outra parte do castelo ela ataca e eles acabam ficando presos em um banheiro onde havia um zumbi! Encurralados, eles conseguem prender o zumbi embaixo de uma banheira e decidem abrir a porta pra fazer o zumbi lutar com a pantera mas o plano dá muito errado e John Tiger escapa da morte por pouco, deixando o pobre anão a própria sorte trancado no banheiro com um zumbi e uma pantera feroz.
Em seguida ele descobre em alguns papéis que na verdade o feiticeiro está por trás de algo sinistro nesse castelo, pois encontra alguns rakastas mortos e um ninja rakasta chamado Shimaru, guarda costas da Daimyo Kamaggi se alia a John Tiger para investigar o castelo. Eles a encontram aprisionada e ela diz que teve seu rosto copiado por uma criatura para trazer o caos e que era obra do feiticeiro Kaminari.
Shimaru pega a katana mágica do tesouro da daimyo e ambos vão enfrentar a tal criatura doppelganger, que fugiu de um espelho em um feitiço de Kaminari, ela parte para matar nosso heróis ao mesmo tempo que pretende matar o feiticeiro, mas acaba sendo derrotada pela lâmina da katana mágica.
No momento que a criatura é morta, John Tiger é transportado de volta para a presença de Kaminari, no castelo do burgomestre Gustovan. Lá John Tiger revela o plano sinistro de Kaminari que acaba assassinando nosso herói com um missil mágico certeiro e foge do castelo... um fim trágico, mas o mistério foi desvendado, descanse em paz heróis John Tiger e anão Joel.



segunda-feira, 26 de abril de 2021

D&D da Grow Solo

Eu nunca joguei o D&D da Grow, mas lembro vagamente de ter visto ele nas lojas americanas nos anos 90, meu primeiro RPG foi o AD&D, joguei sem entender muito, mas lembro com muito carinho de como descobrir aquilo mudou minha vida pra sempre. O ser humano é um bicho criativo, eu sempre gostei de criar histórias, personagens e coisa e tal, o RPG me ajudou a nunca parar com isso. Algum tempo atrás quando eu descobri a OSR, graças ao Old Dragon (que embora muitos menosprezem a relevância , ainda tem o mérito de ter popularizado a OSR por aqui no Brasil e é uma alternativa nacional e mais acessível ao D&D do que a versão oficial), acabei encontrando um pdf do D&D da Grow e resolvi imprimir pra jogar com o pessoal, mas ninguém topou porque ele parecia ser muito letal. Mas agora que descobri o RPG Solo, finalmente pude jogar meu D&D da Grow!

Pra jogar eu usei as regras de geração de masmorra do Dungeon Master Guide do AD&D 1ed do Gary Gygax e as tabelas de encontro aleatório do próprio D&D da Grow. A aventura se baseava na exploração de uma dungeon conhecida como o Labirinto de Zoltan, que há muito tempo foi um feiticeiro maligno atormentou o reino e dizem que seu fantasma ainda habita a dungeon. Cada um dos personagens tinha suas motivações para explorar o lugar, geradas com palavras aleatórias retiradas do livro Forte das Terras Marginais (que eu pretendia usar pra jogar, mas decidi gerar a dungeon). 



A primeira expedição era formada por Zuzu, o mago, que ouviu que o Grimório Negro de Zoltan está em algum lugar da dungeon; Nina, a elfa, que tem pesadelos envolvendo um demônio que guiou ela até a dungeon, ela pretende destruir a criatura pra se livrar dos pesadelos; e Junio, o guerreiro, que quer fama, tesouro e glória. Os três se dirigem ao Labirinto de Zoltan equipados com tochas, óleo e água benta, pois há boatos de que há muitos mortos vivos e esqueletos no local. 
Explorando a masmorra, encontram uma pista  em alguns pergaminhos velhos de que possa haver um tapete mágico escondido em algum lugar; um poço mágico maligno e falante tenta matar Nina espirrando um líquido negro e ácido quando ela entra em uma das câmaras, mas ela consegue ter sucesso em sua jogada de de proteção contra baforada; um grupo de goblins estava realizando uma espécie de adoração a um totem feito de restos de esqueletos de humanos e animais, Junio ataca, o grupo consegue vencer os goblins, graças a magia Sono de Zuzu, mas Junio morre em um golpe certeiro de espada curta (ele tinha 5pvs, levou 6 de dano).


De volta a cidade o grupo recruta o anão Biu, um tremendo mercenário ganancioso, está interessado em encontrar tesouros no Labirinto de Zoltan e odeia orcs e goblins, como todo anão aventureiro. De volta a masmorra o grupo descobre conversando com um homem lagarto (rolei amistoso na tabela de reação) que o grimório de Zoltan é guardado por uma Salamandra de fogo em um dos níveis inferiores da masmorra. Biu acaba morrendo em uma armadilha de fosso.

O terceiro membro da expedição é Kona, o brabo, um guerreiro muito corajoso que quer livrar o reino de todo mal, odeia feiticeiros, mas aceitou participar da expedição mesmo sabendo que Zuzu e Nina são usuários de magia em nome da aventura. Com a ajuda de Kona o grupo chega ao segundo nível da dungeon, onde encontram uma coroa de ouro após enfrentar esqueletos, na sala da coroa, Nina encontra uma passagem secreta que dá para uma espécie de templo, com um altar de mármore e seis pilares. Lá eles encontram um ser cadavérico e que revelou ser o próprio feiticeiro Zoltan, ele usa seu feitiço de imobilizar pessoa e os nossos heróis tem suas vidas sugadas pelo vilão.

Apesar do triste fim, a aventura foi bem legal enquanto durou, tive interações muito legais no solo que na maioria das vezes não aconteceriam em uma mesa com jogadores com mentalidade de hack and slash, chutar portas, pegar o tesouro, matar os monstros. As regras de geração de masmorra do Gygax são muito boas embora exijam muitas consultas no livro, o que quebra um pouco o ritmo da aventura, mas nada muito grave. Gostei tanto de jogar que fui procurar uma caixa do D&D da Grow no Mercado Livre e já estou esperando a minha chegar pra solar a Dungeon de Zanzer!

Hoard of the Dragon Queen - Episódio 2

Pra quem conhece Hoard of the Dragon Queen sabe que no episódio 2 da aventura o grupo vai até o acampamento dos invasores, é um acampamento bem grande, onde Leosin pode ser encontrado preso e torturado, é meio que uma missão stealth e tal. Na minha mesa eu preferi descartar essa parte e pular direto pra dungeon, além disso, usei outra dungeon pro jogo, usei a Tomb of the Serpent Kings uma masmorra muito legal, principalmente pra mestres iniciantes, mudei uma ou outra coisinha pra ela se tornar o esconderijo dos draconianos e na sala do tesouro coloquei os prisioneiros que foram capturados em Ninho Verde.

Pouco depois que os grupo saiu de Ninho Verde com o kobold Omut como guia, um pequeno acampamento no meio da estrada é avistado, com um draconiano e alguns kobolds planejando cozinhar (ou assar, estavam com dúvida) um garoto, nesse momento Omut corre em direção a eles para escapar dos aventureiros e acaba sendo aniquilado pelo grupo junto com seus aliados. O garoto revela a direção que o resto dos prisioneiros foram levados enquanto os kobolds escolheram parar para comê-lo, os aventureiros decidem levar ele de volta pra Ninho Verde antes de seguir o caminho apontado pelo garoto.

Deixando o menino em segurança os aventureiros chegam até o esconderijo dos draconianos, enfrentam alguns embriagados na entrada de uma caverna, que deveriam estar de guarda. Dentro da caverna os heróis se deparam com uma espécie de templo antigo, que talvez pertenceu a uma raça de répteis ou serpentes. Oshuj, o cavaleiro místico de Novaria, acaba caindo em várias armadilhas e coloca um anel amaldiçoado que transforma seu dedo em algo semelhante a cobra, com presas e tudo. Mais na frente, o grupo encontra o draconiano Indigus Furiazul, torturando Leozin, o meio-elfo. Uma dura batalha acontece com a vitória dos aventureiros. Leozin, libertado, revela que está a procura de sua irmã, que está sendo controlada pelo líder do Culto do Dragão, o feiticeiro Sammaster, que teoricamente havia morrido pelas mãos de um paladino de Lathander anos atrás após usar um feitiço para criar um Dragão Lich. Leozin revela que ele e sua irmã são harpistas, e tudo deu errado quando ela encontrou o Tomo do Dragão em uma de suas aventuras e agora está sob o feitiço de Sammaster e sendo usada para liderar os ataques às vilas e provavelmente é responsável pelo roubo dos ovos de dragão.

Esqueletos draconianos encontrados na tumba


Junto com Leozin, os aventureiros exploram as tumbas e encontram uma rede de cavernas onde vive uma tribo de kobolds, mas estranhamente há poucos lá. No geral, a masmorra toda tem menos kobolds e draconianos do que foram vistos no ataque a Ninho Verde. Enfim, eles encontram um local onde os prisioneiros estão sendo mantidos, mas a chave do lugar é guardada por um terrível basilisco. Graças a estratégia de Dora usando Mãos Mágicas, a chave é recuperada e o grupo resgata os prisioneiros e além disso, encontram os ovos de dragão. Um deles havia chocado e estava preso em uma gaiola, mas foi confundido com o familiar da feiticeira irmã de Leozin e foi fulminado por um ataque mágico de Torven. No local também é encontrado uma bola de cristal que é levada para Mãe Delamare.

O Basilisco


De volta a Ninho Verde, os prisioneiros reencontram seus familiares e amigos e o grupo é recebido com festividades, além de receberem a recompensa que estava reservada pela cabeça do Orc Cicatriz. Após os 3 dias prometidos, a dragoneza retorna a Ninho Verde para recuperar seus ovos, fica triste ao saber que um deles havia morrido (o grupo omitiu a informação de que foi morto por um deles, obviamente) e parte em silêncio.

Sem encontrar sua irmã, Leozin decide partir para o Forte da Vela para informar seus aliados harpistas sobre os acontecimentos de Ninho Verde e sobre a descoberta da bola de cristal: uma imagem de um rosto cadavérico foi revelada, provavelmente Sammaster retornou como um lich, o que é sinal de um problema muito grande para os Reinos. O grupo decide acompanhar Leozin em sua jornada.

A primeira parte da sessão termina aí, em linhas gerais foi isso o que aconteceu durante as sessões de exploração da masmorra. Decidi dar uma pausa da campanha por motivos de Big Brother Brasil (é difícil competir com o programa pela atenção dos jogadores quando a sessão acontece no mesmo horário). É isso aí, não sei quando vamos continuar, mas estou satisfeito com a conclusão da aventura.

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Jogos analógicos de uma página

Em meio a pandemia o governo do estado em que eu vivo resolveu adiantar alguns feriados pra fazer as pessoas ficarem em casa e eu aproveitei a folga pra criar joguinhos! Eu não sei ao certo o que aconteceu, ou o que me inspirou a fazer tantos em sequência, mas o fato é que aconteceu e eu acabei criando 3 joguinhos bobos pra você passar o tempo. Pra jogar é muito fácil, você precisa de uma cópia do jogo, papel e um dado comum de 6 lados. Alguns deles não tem todas as informações necessárias ou sequer tem regras bem definidas, mas enfim, vamos a eles:


O primeiro deles eu batizei de DEIDÊ SOLO e é inspirado no D&D da grow, com raças como classes, as regras estão um pouco confusas mas faz parte do processo criar jogos bugados também, além do mais a ideia desse jogo é você também criar suas regras e situações, é um mini RPG, você explora a masmorra e pode sair ou muito rico, ou morto ou ir parar em outra dimensão, você quem decide o que acontece de verdade. É um jogo mais livre.


O próximo é o Castelo do Rei Caveira, um joguinho de tabuleiro simples e que foi muito divertido de construir, mas sei que pode ser confuso também, não fica claro no jogo que você pode ir e voltar pelas casas do tabuleiro heheh, mas enfim, ele é bem curto e talvez funcionasse melhor em uma folha A3 com um castelo maior.No jogo você é um cavaleiro explorando o castelo do Rei Caveira em busca da Espada Mágica (que é bem difícil de pegar). Meu recorde nele foi de 7 moedas de ouro e consegui pegar a espada com apenas um coração restante!


O último e também o meu favorito, é o NFTVII inspirado no famoso RPG de PS1 Final Fantasy VII e nas polêmicas envolvendo criptomoedas. Nele você controla um grupo de ativistas que pretendem sabotar as 6 minas de criptomoedas de uma corporação mesquinha. É como um RPG de video game, você começa na mina 1 e termina na 6, usando a loja nos intervalos. Cada personagem tem sua vez de atacar ou usar o item, eu achei o mais divertido, mas também é curto.

Os dois últimos jogos (o primeiro foi mais um teste do que um jogo propriamente dito) estão disponíveis em outras línguas no meu itch: https://masmorrasemalucos.itch.io Espero que gostem!





domingo, 28 de março de 2021

DUNJA SOLO - A Mina Abandonada

Hoje trago pra vocês a continuação do reporte da minha sessão solo/playtest de DUNJA. Dessa vez vou me prender a narrar os acontecimentos da sessão ao invés de detalhar cada teste que foi feito e de que forma cheguei aos resultados, expliquei aqui como procedi no último reporte. Mas adianto uma coisa: utilizei umas tabelas de geração de masmorras que encontrei no blog Casal Geek e utilizei uns monstrinhos que criei pra um futuro bestiário pro DUNJA.

6º Dia: Nossos heróis bolam um plano com os caçadores para capturar o seu amigo amaldiçoado e levá-lo a um feiticeiro recluso em um arquipélago que dizem ser capaz de remover muitas maldições. Juntos eles montam uma armadilha fazendo uma fogueira para atrair a criatura e um buraco oculto nas folhagens. Graças a magia Estátua! de Miro e a ajuda da Princesa Cebola eles conseguem paralisar e prender a fera. Um dos caçadores tenta usar um pó do sono para adormecer a fera mas não funciona, a Princesa Cebola então sugere que eles tentem lembrar que são amigos da criatura e de todos os momentos que passaram juntos e fazem o bicho chorar. Miro pede uma amostra do pó do sono aos caçadores e o grupo se despede cada um rumo ao seu destino. Nossos heróis se dirigem até a Montanha do Tesouro.

7º Dia: Após uma escalada muito cansativa (principalmente para Miro) e um encontro com uma Centotixa que foi paralisada com a magia Estátua! os heróis chegam ao topo da montanha e se deparam com uma entrada para uma mina abandonada com rastros de que algo foi arrastado lá para dentro...Antes de entrar eles decidem acampar na entrada quando são abordados por uma Aranha Rocha amistosa que responde algumas perguntas e se oferece para ajudar em troca de algo de ferro, seu prato predileto. Sem querer se desfazer de sua espada e sua chave mestra, a Princesa Cebola e Zequinha recusam a ajuda da Aranha Rocha, mas ficam sabendo por ela que dentro da mina há pedras vermelhas, mas não há ferro. Eles agradecem a ajuda e entram na mina.

Na mina: Os heróis descem um lance de escadas e atravessam um rio subterrâneo cheio de sanguessugas (que não afetam a Princesa Cebola), enfrentam uma dura batalha contra 3 Centotixas em um corredor longo e com um paredão alto até encontrar uma sala com um baú com moedas e uma semente da coragem, que é engolida pela Princesa Cebola. Após isso o grupo decide ir embora da mina pois o lugar é muito perigoso.


Aranha Rocha e as Centotixas da mina abandonada


E essa foi a primeira aventura concluída dos nossos heróis, como havia dito, estou bolando um mini bestiário e umas tabelinhas novas de encontros, pretendo fazer umas salas aleatórias para explorar portais pra DUNJA e tal. Em breve trago mais novidades, até :D

terça-feira, 16 de março de 2021

BONECOS BRABOS RPG

 No começo do ano eu bolei um RPG bem simples de uma página em formato de zine e joguei lá no twitter pro pessoal imprimir e brincar, chamei ele de RPG de Bonecos, era um joguinho simples com três arquétipos: Bombadão, Gótico e Feiticeiro e que usava apenas d6 e as mesmas regras de testes do DUNJA. Queria expandir ele e criei uns monstrinhos e tal pra brincar no Tabletop Simulator e então no último fim de semana tive uma ideia: e se o RPG de Bonecos realmente fosse sobre bonecos?


RPG de Bonecos em formato zine.

Daí eu decidi renomear o jogo pra BONECOS BRABOS RPG, um jogo sobre bonecos de um armazém abandonado de brinquedos e mercadorias contrabandeadas que criam vida através da imaginação dos espíritos que habitam o lugar. É basicamente um mundo meio Toy Story, meio Mister Bumpy, meio Frango Robô. A principal inspiração são bonecos falsificados de camelô dos anos 80-90, aqueles bonecos bombadões estilo He Man que a gente sempre via nas lojas de 1,99.

Capa da nova versão

Eu to terminando de escrever as regras e em breve posto mais novidades por aqui, também pretendo lançar o jogo em inglês, mas preciso primeiro terminar a versão em português. Além disso vou fazer uns playtests solo e com alguém a fim de testar o jogo, é isso aí, até a próxima. Fiquem ligados :D